Reflexão para o 5º Domingo da Quaresma (25/03)

 
A cruz é a “hora” de Cristo.
Leituras: 
Jeremias 31, 31-34
Salmo 50 (51), 3-4.12-13.14-15
Carta aos Hebreus 5, 7-9
João 12, 20-33

Refletindo a Palavra
          Estamos chegando ao final da Quaresma. No próximo domingo iniciaremos a Semana Santa, com o Domingo de Ramos. Neste dia, também concluiremos a primeira etapa da Campanha da Fraternidade 2012. Com o gesto concreto da coleta manifestamos nossa atitude de partilha e solidariedade.
          Na celebração de hoje somos convidados a ver Jesus em sua missão recebida do Pai. Seguimos os passos dos gregos que subiram a Jerusalém para adorar a Deus. Mas eles querem ver Jesus. O que significa ver Jesus? Por que ver Jesus? Ver Jesus é compreender sua atitude e desvendar seu projeto. Jesus mesmo o explica, fazendo uma meditação sobre a “hora”.
          “Hora” é o final de sua vida terrestre. Tudo caminha para essa hora. A “hora” é momento no qual o amor gratuito de Deus, materializado em seu carinho pelos pobres, encontra-se com a força social e religiosa que o rejeita: o pecado. Esse conflito expressa-se na cruz. Por isso, a cruz é levantada como denúncia daquilo que leva Jesus à morte e como testemunho de sua entrega de amor. (A Solenidade da Anunciação do Senhor é transferida para o dia de amanhã)
          No livro de Jeremias, no capitulo 31, é anunciado que um dia Deus estabelecerá uma nova aliança com o seu povo. Este é um texto referencial no Antigo Testamento.
          Após o reinado desastroso e corrupto de Manassés, sobe ao trono o rei Josias. Ele é muito criança quando assume o poder, mas aos poucos, revela-se muito piedoso e inicia uma profunda reforma religiosa. Jeremias observa tudo em silêncio e mostra-se favorável à escolha do novo monarca.
Em todos despertam esperanças de dias melhores. Está em andamento uma renovação espiritual e política. Enfim, Israel poderia voltar a ser um povo unido, poderoso e forte, como nos tempos de Davi e Salomão.
          Nos bastidores dos novos tempos há, porém, uma inquietante reflexão: é preciso descobrir os erros do passado e tomar providências para que certas coisas não mais se repitam. Jeremias lembra um fato histórico decisivo: cem anos antes as tribos do Norte foram aniquiladas pelos assírios. E pergunta: pó que Deus permitiu tal desgraça?
           Nos versos 31 e 32, o Senhor responde dizendo: “o reino do Norte foi destruído por causa da sua infidelidade à aliança”. Sim, algumas centenas de anos atrás, os israelitas no Sinai tinham feito uma aliança com Deus que os tirou do Egito e que tinha se comprometido a defendê-los e fartá-los de bens; havia-lhes prometido uma vida feliz e próspera. Essa promessa tinha, no entanto, uma condição: que eles observassem seus mandamentos e ouvissem seus profetas. O povo tinha jurado fidelidade, mas, na prática, tinha acontecido o contrário.
          Como reatar essa aliança? Com que garantias? Em que contexto? É necessário estabelecer uma nova aliança. A aliança e a lei deverão ser escritas não em pedras frias, mas no coração das pessoas. Gravadas pela força do Espírito. Quem recebe esse Espírito é capaz de vencer todas as tentações.
          Quando se realizará essa profecia? A profecia começa a realizar-se na Páscoa de Cristo, quando ele, morrendo e entrando na glória do Pai, enviou o Espírito Santo. A partir daquele dia, a lei de Deus foi gravada em nosso coração.
          A Nova Aliança que Deus vai estabelecer, após soberanamente ter perdoado o rompimento da antiga, não consiste nem numa modificação das diretrizes dadas no Sinai e dos compromissos ali assumidos, nem num novo culto puramente espiritual: ela consiste, por sua vez, no fato de as diretrizes e os compromissos de outrora serem inscritos no fundo do coração, no íntimo do homem. A estrutura da personalidade será de tal modo regenerada que cada um, instruído no seu íntimo, conhecerá e fará a vontade do Senhor.
          Na Carta aos Hebreus, encontramos um Jesus humano. Ele não fingiu ser homem, ele passou verdadeiramente por todas as dificuldades e tentações comuns aos seres mortais. Tudo isso, porém, com uma diferença: nunca se deixou vencer pelo mal ou pelo pecado e sempre se manteve fiel ao Pai.
          Hoje apareceu claramente a reação de Jesus frente à morte e ao sofrimento. Sentiu na carne aquilo que se passa com o ser humano nessas situações. Dirigindo-se ao Pai pediu que ele o ajudasse e, se possível, o poupasse da dor e da morte. Orou, sentiu necessidade de invocar o Pai, para descobrir a sua vontade e para ter forças para realizá-la.
          No Evangelho de João é narrado um fato acontecido poucos dias antes da última páscoa de Jesus. Um grupo de gregos ou de estrangeiros que se tinham convertido à religião judaica ouvira falar de Jesus e queria encontrá-lo, ou melhor, vê-lo.
          Para João, ver Jesus não significa só contemplá-lo com os olhos, mas conhecê-lo em profundidade, descobrir quem ele é realmente. Os gregos querem penetrar no íntimo da pessoa de Jesus. Antes eles eram pagãos, adoravam ídolos e tinham práticas supersticiosas. Um dia, porém, conheceram o Deus de Abraão e aceitaram a religião hebraica.
          Por ocasião da Páscoa, sobem até Jerusalém não para fazer turismo, mas para rezar, para encontrar-se com Deus e descobrir o que ele ainda quer deles. Tomam consciência que ainda não alcançaram aquilo que o Senhor lhes pede. Sentem que Deus quer que eles se dirijam a Cristo. Eles, no entanto, não se dirigem diretamente a Jesus, mas a Felipe e André, os únicos apóstolos com nome grego, portanto, os interlocutores e mediadores mais apropriados.

Fonte: www.magnificatfm.com.br

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