DOMINGO DE RAMOS (01/04)


Textos:
1ª.  Leitura: Is  50,  4-7
2ª.  Leitura: Fl   2,  6 - 11
Evangelho: Mc 15, 1 – 39

Os relatos da Paixão são pontos altos dentro da teologia de cada evangelista. O evangelho de Marcos inicia afirmando: "Começo da Boa Notícia de Jesus, o Messias, o Filho de Deus" (1,1). E no relato da paixão-morte-ressurreição de Jesus retornam com força os temas da Boa Notícia de Jesus, Messias e Filho de Deus. A Boa Notícia, - que é a prática de Jesus, - provocou reações em cadeia desde os inícios do evangelho de Marcos. De fato, já em 3,6, os fariseus e alguns do partido de Herodes faziam um plano para matá-lo. A morte de Jesus, portanto, não aconteceu por acaso, MAS é resultado de um plano de morte dos líderes religiosos e políticos. Esse plano dá certo porque Judas, um dos que andam com Jesus, rompe o cerco, permitindo que "os de fora" (cf. 4,11) executem seus projetos de morte. Judas é o traidor, e Pedro, um dos que tinham sido chamados a "estar com Jesus" (cf.3,14), reage com energia quando alguém lhe diz: "você também estava com ele" (14,67).


Jesus vai até o fim. Ele é a semente que, jogada na terra (cf.4,3ss), vai produzir frutos além da expectativa. Mas sentir-se-á abandonado por todos, pois um discípulo prefere fugir nu (14,52) a se comprometer com o Mestre. Este, na cruz, sente-se abandonado pelo próprio Deus (cf. 14,34). O evangelho de Marcos é apenas o início da Boa Notícia. Depois que ressuscitou, Jesus precede os discípulos na Galileia (cf.16,7), lugar de gente marginalizada, para a qual a prática de Jesus se tornou de fato notícia alegre, pois trazia, junto com as palavras, a libertação dos oprimidos. É lá, - na Galileia do dia-a-dia,- que os discípulos se encontrarão com Jesus, desde que façam no hoje de sua história as mesmas coisas que o Mestre fez para libertar os oprimidos. O evangelho de Marcos é sempre um início, a fim de que Jesus seja Boa Notícia para quem sofre. 


Jesus é o Messias e Filho de Deus. Comparecendo diante do Sinédrio, o sumo sacerdote o interroga: "És tu o Messias, o Filho do Deus Bendito?" (14,61). E Jesus confessa: "Eu sou. E vocês verão o Filho do homem sentado à direita do Todo-Poderoso, e vindo sobre as nuvens do céu" (14,62). É a única vez no evangelho de Marcos, que Jesus afirma ser o Messias, o escolhido por Deus para realizar seu projeto de liberdade e vida. O que soa blasfêmia para a sociedade que mata (14,63) é a maior profissão de fé de quem nele crê e a ele adere. No relato da paixão seu messianismo adquire pleno significado: ele é o Filho ungido pelo Pai. 
- Uma mulher unge a cabeça de Jesus (14,3), reconhecendo-o Messias.
- O  Sinédrio  rejeita  e   condena  à  morte.   
- O  oficial  romano  reconhece  nele  o  Filho  de Deus:  "de  fato,  esse  homem  era  mesmo Filho  de  Deus"  (15,39). 


Jesus é Messias-Rei, mas sua realeza se distancia dos padrões de poder e autoridade daquele tempo e de hoje. Quando os soldados o vestem com um manto vermelho, põem em sua cabeça uma coroa de espinhos e o saúdam, estão na verdade ridicularizando os poderes deste mundo que assim se vestem e oprimem. Jesus é Rei porque se despoja desse tipo de poder e se afasta do círculo dos poderosos (cf.15,21), dando a vida pelos seus. De réu diante do Sinédrio ele se torna juiz (o Filho do Homem sentado à direita do Todo- Poderoso e vindo sobre as nuvens de 14,62 recorda o juiz de Daniel 7,13), e juiz que desmascara todo tipo de poder que explora e oprime o povo. Jesus crucificado é o verdadeiro Rei. É o Messias da cruz. Tendo um bandido à direita e outro à esquerda (15,27), ele se apresenta nos moldes das aparições públicas dos reis daquele tempo, que se mostravam ao povo ladeados por seus auxiliares imediatos. Mas sua realeza é diferente, pois está a serviço dos condenados que a sociedade julga fora-da-lei (cf.15,28). Quando Jesus foi batizado, o céu se rasgou (1,10), realizando o sonho de Is 63,19, traduzindo assim o fim do aparente silêncio de Deus. Quando morreu na cruz, cortina do Santuário se rasgou de alto a baixo (15,38), decretando o fim da sociedade e da religião patrocinadoras de morte para o povo. Esta é a Boa Notícia que a morte e ressurreição de Jesus trazem às pessoas de todos os tempos e lugares.

Fonte: Revista Digital de Liturgia – Arquidiocese de Campinas SP

Nenhum comentário:

Postar um comentário