Reflexão para o 6º Domingo da Páscoa (13/05/2012)

      
             “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. 
         
           O sexto domingo da Páscoa dá continuidade à temática da união vital e fecunda entre a videira e os ramos. Esta é a união do amor que se expande do Pai ao Filho, do Filho aos discípulos e dos discípulos a todas as pessoas. O Pai quer congregar a todos no mesmo amor. 
            Estamos no contexto de despedida de Jesus. Tudo acontece naquela noite de despedida, durante uma “ceia”. Jesus está se despedindo e deixando as suas recomendações. As palavras de Jesus soam como um “testamento final”. Ele sabe que vai partir para o Pai e que os discípulos vão continuar no mundo. Convida-nos a seguir o caminho de entrega a Deus e de amor radical aos outros. 
          Traduzidos em vida pela comunidade dos seguidores de Jesus, os mandamentos deixam de ser normas externas, obrigações a serem cumpridas, para se tornarem a expressão clara do amor dos discípulos e de sua sintonia com Jesus. 
         O dialogo de Jesus com seus discípulos, com tom de despedida, tem, no horizonte, o mistério da cruz e a continuidade da missão. Uma cena que evoca a realidade de tantas mães que, na eminência de sua partida, reúne os filhos e, com emoção, transmite-lhes as últimas recomendações que se traduzem em verdadeiros referencias para a vida. “Permaneçam unidos, no mútuo amor!” 
       Assim como a relação amorosa entre irmãos eterniza as palavras de uma mãe, a relação de amor entre cristãos, em determinada comunidade de fé, eterniza o mandamento novo: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. A comunidade eclesial é, por excelência, o lugar de vivência do mandamento do amor deixado por Jesus. O que dá visibilidade à vivência do amor são as obras de caridade solidária como expressão de doação total de si mesmo. O amor não pode ser apenas com palavras, mas com fatos e na verdade. “Vós sois meus amigos”. 
      Pertencer à comunidade dos “amigos de Jesus” é aceitar o convite que ele nos faz para colaborar na missão que o Pai lhe confiou e que consiste em testemunhar no mundo o projeto salvador de Deus para a humanidade. Aos “amigos” de Jesus, cabe revelar, em gestos, o grande amor de Deus a cada homem e mulher – e especial aos pobres, aos marginalizado, aos doentes, aos pequenos, aos oprimidos. 
       Compete aos “amigos de Jesus” a missão de eliminar o sofrimento, o egoísmo, a miséria, a injustiça, enfim tudo o que oprime e escraviza os irmãos e desfigura a obra criada. É ainda missão dos “amigos de Jesus” serem mensageiros da justiça, da paz, da reconciliação, da esperança; Aos membros da comunidade dos amigos de Jesus compete labutar contra os mecanismo que geram violência, medo e insegurança. O amor é dom e missão. 
       Os cristãos “da comunidade dos amigos de Jesus” são aqueles que testemunham no mundo, com palavras e gestos, que o mundo novo que Deus deseja oferecer á humanidade se edifica através e no amor. São aqueles que proclamam, em ações concretas, a cada homem e mulher: “tu és amado e querido de Deus e salvo em Jesus Cristo”. 
       
O amor é a forma mais alta e mais deve animar todos os setores humanos. Consequentemente, o amor deve animar todos os setores da vida humana. Só uma humanidade na qual reina a “civilização do amor” poderá gozar de paz autêntica e duradoura. “A Igreja no mundo atual” responde ao desafio de construir um mundo animado pela lei do amor, uma civilização do amor, “fundada sobre os valores universais de paz, solidariedade, justiça e liberdade, que encontram em Cristo sua plena realização”. 
       A civilização do amor é a aplicação prática, na vida da sociedade, do amor que provém de Deus. Se Deus é amor, temos que colocá-lo como Senhor dessa civilização, mas infelizmente o que vemos é uma luta tremenda para que o contrário aconteça. “Estamos diante de uma realidade mais vasta, que se pode considerar como uma verdadeira e própria estrutura de pecado, caracterizada pela imposição de uma cultura antissolidária, que se configura em muitos casos como verdadeira “cultura de morte” (João Paulo II).



LEITURAS


1ª - At 10, 25-27.34-35.44-48 
Naqueles dias, Pedro chegou a casa de Cornélio. Este veio-lhe ao encontro e prostrou-se a seus pés. Mas Pedro levantou-o, dizendo: «Levanta-te, que eu também sou um simples homem». Pedro disse-lhe ainda: «Na verdade, eu reconheço que Deus não faz acepção de pessoas, mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável». Ainda Pedro falava, quando o Espírito desceu sobre todos os que estavam a ouvir a palavra. E todos os fiéis convertidos do judaísmo, que tinham vindo com Pedro, ficaram maravilhados ao verem que o Espírito Santo se difundia também sobre os gentios, pois ouviam-nos falar em diversas línguas e glorificar a Deus. Pedro então declarou: «Poderá alguém recusar a água do Batismo aos que receberam o Espírito Santo, como nós?» E ordenou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Então, pediram-lhe que ficasse alguns dias com eles.



Sl 98 (97), 1.2-ab.3cd-4
 O Senhor manifestou a salvação a todos os povos.

Cantai ao Senhor um cântico novo
pelas maravilhas que Ele operou.
A sua mão e o seu santo braço
Lhe deram a vitória.

O Senhor deu a conhecer a salvação,
revelou aos olhos das nações a sua justiça.
Recordou-Se da sua bondade e fidelidade
em favor da casa de Israel.

Os confins da terra puderam ver
a salvação do nosso Deus.
Aclamai o Senhor, terra inteira,
exultai de alegria e cantai.

2ª - 1Jo 4, 7-10 
Caríssimos: Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.
Assim se manifestou o amor de Deus para conosco: Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigênito, para que vivamos por Ele. Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados.

Evangelho - Jo 15, 9-17
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 
«Assim como o Pai Me amou, também Eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor. Assim como Eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor. Disse-vos estas coisas, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa. É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai. Não fostes vós que Me escolhestes; fui eu que vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça. E assim, tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros».

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