Reflexão para o Domingo de Pentecostes (27/05/2012)


Leituras: 
At 2, 1-11; Sl 103 (104) 
1Cor 12, 3b-7.12-13 ou Gl 5, 16-25 
Jo 20, 19-23 ou Jo 15, 26-27; 16,12-15.
“O amor de Deus foi derramado em nossos corações 
pelo seu Espírito que habita em nós, aleluia!”
           Com a celebração do Domingo de Pentecostes, encerram-se os cinquenta dias (em grego: Pentecostes) do tempo pascal. A primeira leitura nos mostra que a efusão do Espírito Santo, fruto do Mistério Pascal de Jesus, coincide com a festa judaica das semanas, e tinha esse nome pelo simbolismo numérico de plenitude (7semanas x7 dias= 49 dias; na antiguidade celebrava-se um dia depois; sendo considerado este dia o mais solene, 49+1= 50 dias!).
                 Em origem tratava-se de uma festa agrícola, de agradecimento a Deus pela colheita do trigo e da cevada. Por volta do I século esta festa adquire o sentido de celebração da aliança entre Deus e seu povo. Era uma festa muito sentida em Israel. Nessas ocasiões vinham judeus de várias localidades distantes de Jerusalém, em peregrinação. Muitas vezes chegavam pela época da Páscoa, e aí ficavam para celebrar, cinquenta dias depois, a festa das semanas. “Residiam em Jerusalém judeus piedosos procedentes de todas as nações que há debaixo do céu” (Primeira leitura). 
            Receber o Espírito Santo nesse dia de festa judaica dá um sentido novo à própria história precedente: se antes Deus havia firmado uma aliança com seu povo eleito, agora a nova aliança se dá com o novo Israel, isto é, a Igreja. A salvação agora é concedida por meio de Cristo a toda a humanidade, a toda raça, língua, povo e nação (cf. Ap 5, 9).
               O sentido mais profundo das imagens que esta leitura contém nos remete à Igreja, formada pelo primeiro núcleo apostólico, mas também pela Igreja formada por nós reunidos em assembleia. 
           A Igreja recebe o Espírito Santo, proveniente das entranhas do próprio Ressuscitado (cf. Evangelho), e se põe a falar em línguas: mais do que o milagre em si, a imagem do “falar em línguas”, nos coloca diante do mistério da comunicação. 
                Falar uma língua é externar o mais íntimo de nosso ser; aprender a falar uma língua estrangeira ou mesmo uma dicção, ou jeito de pronúncia, diferente daquela de nosso Estado de origem, é abrir-se ao outro, é superar o próprio ego, o próprio horizonte e descobrir o mistério da comunhão na diversidade: “realizai agora no coração dos fieis as maravilhas que operastes no início da pregação do Evangelho” (Oração do Dia). 
              Também a imagem do corpo usada por Paulo na segunda leitura, ilustra bem essa dimensão da união na diversidade, do serviço em função do amor para com o outro: os membros são diversos, mas todos são animados pelo espírito presente no corpo. 
             As imagens do fogo e do vento são o cenário muitas vezes das teofanias divinas, isto é, da revelação de Deus ao seu povo. Também aqui, a presença desses elementos ligados à presença do Espírito de Deus (“No calor sois brisa/ Chama que crepita...” cf. Sequência de Pentecostes), nos põem diante do cenário da aliança: Deus quer por meio de seu Espírito, nos levar à verdade, à comunhão plena consigo: “Concedei-nos, ó Deus, que o Espírito Santo nos faça compreender melhor o mistério deste sacrifício e nos manifeste toda a verdade segundo a promessa do vosso Filho” (Oração sobre as oferendas). Afinal, “desde o nascimento da Igreja, é ele [O Espírito Santo] quem dá a todos os povos, o conhecimento do verdadeiro Deus; e une, numa só fé, a diversidade das raças e línguas” (Prefácio: o mistério de Pentecostes).

Fonte: www.nospassosdepaulo.com.br

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